Estou usando esse titulo pois é algo muito usado em nossas conversas e estudos. Mas o que chamou a minha atenção foi o tamanho da diferença existente nessa cidade. Itacaré é banhada por um mar maravilhoso e que ainda recebe as águas do Rio de Contas, um dos mais famosos rios baianos. Além disso, tem muitas cachoeiras. Eu sei que até agora vocês estão pensando onde eu quero chegar pois ainda só falei de um paraíso com mar, rio cachoeira e a mata atlântica em seu esplendor.
Então vamos ao que interessa. Olhe na foto abaixo a praça onde montamos a Livraria. Já pensei em quantas lixeiras a nossa querida Julia iria espalhar por ela. Aqui não tem nenhuma. Note que o chão é areia. Isso mesmo areia solta. As pessoas aproveitam as sombras dessas mangueiras antigas e guerreiras. Eu vi alguns alunos da escola vizinha derrubando algumas mangas e, acreditem, elas resistem aos meninos. Eles aproveitam para colocar o assunto em dia. Os dias aqui passam mesmo mais devagar. É normal escutar o grito de comprimento e o "maninho", jeito carinhoso de se referir aos amigos, de longe entre risos e uma ou outra brincadeira.
Itacaré não tem indústrias, fábricas e nem um forte comércio. Os "maninhos" vivem do turismo e tudo que vem com ele. É muito comum escutar outros idiomas na rua. Mas também pessoas falando da luta para esperar o próximo verão e com ele quem sabe mais turistas e junto mais prosperidade.
A verdade é que os "maninhos" precisam ser fortes pois, ao contrário do que pensam muitos, esse povo trabalha e muito. O que nos faz diferentes é que, apesar da vida dura e difícil, não perderam a capacidade de sorrir alto e andar cantando pelas ruas.
Diferenças aparecem na correria pelas oportunidades. Mas aqui, vendo mais de perto, é bom pensar: que legal essa diferença. Pois nós corremos para sermos iguais a eles.
Um grande abraço a todos, com muitas saudades.
Edna Balieiro
A praça onde estamos é também o caminho de quatro das mais belas praias da cidade. Estas dá pra ir a pé. As demais tem que ser por trilhas ou barco.

